//“Renovação de intérpretes é destaque desse ano”

“Renovação de intérpretes é destaque desse ano”

Quem chega ao palco nativista pode observar a grande quantidade de pessoas que prestigiam a Sapecada da Canção Nativa. Além do público fiel e de artistas talentosos, há um espaço que, muitas vezes, passa despercebido.

Nele, jurados, radialistas e comentaristas fazem seu trabalho todos os anos. Julgam, informam e analisam. Esses últimos, dedicam seu tempo a estudar a cultura tradicionalista e transmitir seu conhecimento para quem não tem a chance de assistir as apresentações no local do evento.

É o caso do filósofo e cientista social Alderan Marinho Leandro, que acompanha o festival desde a sua quarta edição, e há aproximadamente 10 anos participa da cobertura do evento através da rádio FM 101. O convite veio do locutor Tchê Lagoa, um dos mais atuantes locutores tradicionalistas da Serra Catarinense.

Leandro afirma que estuda os temas, o vocabulário, os intérpretes e músicos. Mas, prefere não ouvir as canções antes da apresentação ao vivo. “O destaque desse ano, em minha opinião, é a renovação dos intérpretes, muitos subindo ao palco pela primeira vez, e isso mostra a força da música nativista com os jovens. Outro ponto positivo é a presença feminina no palco, cresceu muito nos últimos anos e, esse ano, está maior do que nunca.”

Para ele, o mundo está prestando mais atenção às questões de gênero, e isso está se refletindo também na música nativista. “Hoje em dia as mulheres estão conquistando espaço nos mais diversos setores e na música nativista não é diferente, hoje se cria a menina não mais só pra ser dona de casa e mãe, e sim pra se realizar profissionalmente onde quer que ela queira.”

Por fim, o comentarista afirma que a Sapecada é importantíssima para o resgate histórico do Sul do Brasil. “A Sapecada tem toda uma história que se entrelaça com a história da região serrana, assim contribui para a formação cultural de muitos jovens, criando identidade e apego com a construção da história lageana e, ainda, ajuda na formação de valores que hoje em dia estão se perdendo pela falta de estrutura social e familiar.”

Holandês canta em espanhol

Orgulho para o coordenador Mário Arruda é a participação, neste ano, do intérprete Nino Ernesto Willian Zannoni. Ele participa com duas canções nessa edição: “Angustia” e “Pequeño Adiós”. Ambas foram interpretadas em espanhol, e a segunda canção foi classificada para a final.

Mesmo após o susto de muitos espectadores,  já que o intérprete optou por não cantar utilizando as vestimentas gaúchas. É importante deixar claro que o regulamento do festival não obriga a utilização da indumentária gaúcha, apenas utiliza a palavra “preferencialmente”, e exige a não utilização de camisetas.

O intérprete Nino Ernesto Willian Zannoni

 

Por Ciça Ferreira – Fotos: Ciça Ferreira