//Memórias de quem trabalhou na Festa do Pinhão

Memórias de quem trabalhou na Festa do Pinhão

As botas ficavam cheias de barro, as barracas onde as pessoas compravam comidas típicas eram feitas de costaneira de árvores, havia programação durante o dia, com direito a bijajica e café. As rodas de conversa eram uma atração à parte, já que as pessoas se reuniam para contar os causos, ouvir as músicas e saborear os pratos típicos.

Muitas são as memórias de quem esteve na Festa do Pinhão, principalmente de quem trabalha há pelo menos 28 anos na organização do evento conhecido por turistas de todo o país.

A coordenadora de Patrimônio Histórico e Cultural, Marli de Oliveira Ramos Grassa, de 47 anos, carinhosamente conhecida como Chica, é uma das pessoas que guarda em caixas, gavetas e no coração, as lembranças de todos os anos que trabalhou.

Começou aos 19 anos auxiliando na parte cultural. Contribuiu para a execução da primeira, e única, Mostra Sul-Americana de Arte e Cultura. Artistas das cidades do Mercosul se apresentaram no palco do Pavilhão Cultural. Chica guarda todas as fotos em envelopes separados por países e tipos de expressões artísticas.

Entre tantas fotos, ela mostra duas que chamam a atenção: carros alegóricos para um desfile que circulava pelas ruas de Lages com destino à Praça Joca Neves. O desfile aconteceu por dois anos, mas ela sente falta dessa participação diferenciada dos lageanos na festa, principalmente dos Centros de Tradição Gaúcha.

Sobre o que mais marcou nas primeiras edições da festa, Chica relembra da Segunda Sapecada da Canção Nativa. O palco foi decorado com uma cascata, flores e pedras.

Concursos movimentava a festa

Há quem lembre de detalhes, mas não de datas, exemplo do coordenador de eventos, Marco Antonio Sutil de Oliveira, de 56 anos, que trabalha desde os 28 anos na Festa Nacional do Pinhão. Ele lembra dos grandes jantares que eram preparados nas cidades para divulgar a festa.

Os eventos eram regados a pratos típicos, músicas tradicionalistas e a presença das realezas. Marco se empolga ao lembrar dos concursos realizados na festa, da maior pinha, sempre com vencedores de moradores da Coxilha Rica, cerveja na cuia,  maior e menor cuia e a cuia mais exótica.

Os concursos movimentavam os pavilhões do Parque de Exposições com grande número de pessoas participando. Mas havia, também, um concurso saboroso. Um jantar com os pratos vendidos nas casinhas participavam do concurso de gastronomia.

Marco lembra de um ano em que  tudo que era comercializado na festa, tinha de ser pago com o ticket pinhão. O Banco Besc, à época, ficava dentro do parque e fazia a troca do dinheiro pelos tickets.  

Tinha a Casa da Tradição, montada na sede do Sindicato Rural. Lá aconteciam os bailes e os encontros tradicionalistas. Outra lembrança é sobre a abertura dos portões às 10 horas de sábado, com programação para toda a família. Havia um restaurante, com proprietário lageano, que servia pratos típicos.

Chica e Marco lembram com carinho de cada ano da festa, afinal, atuam ativamente na organização da parte cultural do evento, que faz com que as memórias da história da cidade não sejam perdidas.