//A vida deles se confunde com a história da festa

A vida deles se confunde com a história da festa

Se a 30ª Festa Nacional do Pinhão é especial, mais ainda para quem trabalhou em todas as edições e acompanhou as transformações e evolução do evento. Ao mostrar jaquetas, crachás e fotos, o sentimento é de gratidão e satisfação por participar de um evento que marca a história de turistas e moradores de Lages.

Muitos funcionários da Prefeitura de Lages costumam guardar lembranças das edições da festa, principalmente, quem esteve ligado diretamente na organização e registro.

Antonio Agostinho Vieira, mais conhecido como Toninho, participou como público da primeira edição da festa, ainda realizada no Calçadão da Praça João Costa. Aos 11 anos, ele trabalhava como office boy na Rádio Clube de Lages, e ao sair da rádio para comprar e levar peças, aproveitava para comer pinhão que era servido em panelas de ferro por Aracy Paim e outras pessoas. Foi ali que teve o primeiro contato com o que seria transformado em festa.

Em 1983, Toninho foi trabalhar na prefeitura, e, em 1987, viu a primeira Festa do Pinhão acontecer. Com uma faixa de tecido escrito Festa do Pinhão, pendurada em um dos pavilhões do Parque de Exposições Conta Dinheiro, e um pequeno palco, davam-se os primeiros passos para o evento se tornar o que é hoje. O outro lado do pavilhão era reservado para entidades beneficentes servirem pratos típicos.

Sobre a data, de 1987, Ary Barbosa de Jesus Filho, o Aryzão, contesta e afirma que a primeira edição aconteceu em 1986, prova disso é uma filmagem que ele mesmo fez na época, mostrando troféus com o ano registrado e as apresentações. Mas Toninho prossegue, e lembra que em 1989, quando Raimundo Colombo assumiu como prefeito de Lages, foi comemorada a festa foi transformada em evento nacional.

O evento saiu dos dois pavilhões e se estendeu para os outros espaços do parque. Eles não se lembram qual foi a primeira dupla nacional a se apresentar, mas recordam de Leandro e Leonardo; e Chitãozinho e Xororó serem os primeiros a subirem no palco. A estrutura era de madeira e os camarins de costaneira. As pessoas aproveitavam a irregularidade das madeiras que deixavam frestas, para espiar o que os cantores faziam antes de se apresentar.

Ary participou de um dos concurso de Cerveja na Cuia, enquanto Toninho narrava, tomava a cerveja e vencia a prova. Cabeça lembra que havia uma Casa de Turismo que recebia as pessoas com pinhão cozido e assado na chapa, além de copinhos com cachaça. “A casa sempre estava cheia”.

Perfis

João Batista Lima, o Cabeça, trabalha desde os 16 anos na prefeitura. Já trabalhou cuidando do patrimônio, na organização de eventos e, também, como sonoplasta. Na Festa Nacional do Pinhão, ele é o responsável pela coordenação de camarins e preparação dos pratos típicos aos artistas. Cabeça, tem 64 anos e guarda alguns crachás, fotos e jaquetas em casa, mas em sua memória carregará sempre os detalhes. Este ano é significativo e importante. É o último de trabalho na festa e de prefeitura. Irá se aposentar no dia 30 de maio, dessa forma, não poderá terminar o evento. “Sentimento de dever cumprido”.

Ary entrou na prefeitura em 1985, participou da Festa da Tradição Gaúcha dos Campos de Lages e, registrou a festa em 1986. Ele conta sobre sua esposa e irmã que montaram o primeiro cachorro quente da festa. A estrutura ficava ao lado de um silo. Ary é o responsável por gravar e registrar as cenas e fatos mais importantes, alegres e descontraídos. Suas fotos já foram cenário no palco da Sapecada. Ary também está prestes a se aposentar, assim, comemora todos os anos de esforço e carinho à festa.

Toninho, tem 58 anos. Sua voz icônica é reconhecida nos alto-falantes, além do potencial vocal, suas imagens são admiradas e servem de arquivo para a prefeitura. O locutor e fotógrafo começou em 1983 e ressalta sua responsabilidade em fazer parte da festa e manter o arquivo de fotos.

Os três demonstram o carinho e a alegria por terem participado e ainda poderem participar da festa, que é reconhecida no Estado e fora dele. “Muitas vezes, na correria, as pessoas esquecem-se de quem faz parte da festa e está nos bastidores, ficamos muito felizes em mostrar um pouco da nossa história e contribuição”, dizem Ary, Cabeça e Toninho.

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